Deborah Ritchie: Como Enfermeiros Podem Ajudar a Tornar Casas Livres de Fumo
Palestrante sênior em estudos de enfermagem da Universidade de Edinburgh, na Escócia, Deborah Ritchie foi autora ou coautora de mais de 15 artigos de jornais revisados por pares, além de inúmeras revisões, capítulos de livros e relatórios especializados. Ela é apresentadora frequente de tópicos relacionados ao tabaco em conferências e seminários ao redor do mundo.
Muito de sua pesquisa se foca em enfermeiros e casas livres do fumo. Por que o fumo em casa é motivo de preocupação?
O fumo em residências (e carros) é a principal causa de exposição ao fumo passivo em crianças no Reino Unido, particularmente em lares de baixa renda.
As preocupações com os altos níveis de fumo em casa normalmente se concentram em bebês e crianças pequenas, pois eles são menos capazes de se locomover para longe da fumaça e são mais suscetíveis aos riscos à saúde no curto e longo prazos — incluindo exacerbação de asma e infecções do ouvido médio, e baixa frequência e resultados na escola — em decorrência do fumo passivo.
Isso é um grande problema na Escócia?
Nossa pesquisa na Escócia revelou que a maioria dos lares tem alguma forma de restrição autoimposta ao fumo. Contudo, cerca de 40% das crianças na Escócia ainda estão expostas ao fumo passivo em casa.
A maioria das pessoas deveria entender que fumar não é saudável, tanto para si mesmas quanto para aqueles ao seu redor. Então, por que tantos pais fumam dentro de casa?
Os pais se importam com seus filhos, mas não entendem muito bem a relação entre a exposição ao fumo passivo e os riscos à saúde.
Sabemos que muitos pais tomam algumas medidas — como abrir janelas, acender velas perfumadas ou fumar apenas em um cômodo específico — que eles acreditam que irão reduzir a exposição das crianças ao fumo passivo. Essas medidas são ineficazes, mas eles estão tentando.
Como profissionais da saúde, precisamos ter o cuidado de não fazer os pais se sentirem desanimados ao descobrirem que essas medidas não funcionam. Em vez disso, devemos valorizar as tentativas que fizeram e incentivar medidas mais eficazes.
Antes de se envolver em pesquisas de saúde pública, você passou mais de uma década como enfermeira psiquiátrica. Qual é o importante papel desempenhado pelos enfermeiros no estímulo a casas livres do fumo?
Nos primeiros 10 dias após dar à luz, as mães na Escócia são visitadas por amas de leite em suas residências. Os cuidados são então repassados a visitantes de saúde — enfermeiros comunitários — que regularmente visitam a família durante os primeiros anos da criança.
Em função desse contato constante, as amas de leite e os enfermeiros têm a oportunidade de desenvolver relações de confiança com as famílias e estimular a vida saudável, o que incluir promover lares livres do fumo.
Então, se o acesso aos lares e às famílias não é um obstáculo, o que previne os enfermeiros de promover ativamente lares livres do fumo?
Existem várias razões. Primeiro, muitos enfermeiros relutam em levantar o assunto pois temem que isso possa prejudicar sua relação profissional com os pais.
Adicionalmente, os enfermeiros se preocupam com as barreiras sociais, culturais e ambientais que os pais encontram ao tornar a casa livre do fumo. Por exemplo, os pais podem não ter acesso a um espaço ao ar livre para fumar; podem surgir conflitos entre os pais se um tenta introduzir restrições ao fumo dentro de casa; e pode haver falta de apoio por parte de familiares e amigos.
Por fim, alguns sentem que há evidências mínimas em relação à forma mais eficaz de incentivar as pessoas a ter casas livres do fumo, mas evidências promissoras — algumas publicadas, algumas ainda não — mostram que intervenções por parte de enfermeiros podem funcionar.
Como podemos superar essas barreiras e fazer com que os enfermeiros se envolvam mais para livrar os lares do fumo?
Na minha opinião, os enfermeiros ficariam mais envolvidos se desenvolvêssemos intervenções sensíveis ao gênero, que levassem em conta as vidas e os desafios cotidianos das pessoas.
Descobrimos, com nossas pesquisas, que as mães querem fortemente que os profissionais de saúde entendam as barreiras que elas encontram na criação de um lar livre de fumo, e querem ser apoiadas — não julgadas — em seus esforços. Da mesma forma, muitas mães desejam proteger seus filhos, mas afirmam não querer receber sermões sobre seu hábito de fumar.
Para pesquisadores de controle do tabaco, o desafio é desenvolver a base de evidências para intervenções para casas livres de fumo que sejam aceitáveis e viáveis tanto para mães quanto para enfermeiros.




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